
Casal finaliza em menos de 4 anos projeto de morar em todas as capitais do Brasil
Foram quase quatro anos de malas sendo feitas e desfeitas, mudanças de endereço incontáveis e 51.500 quilômetros rodados em cada um dos 26 estados brasileiros, incluindo a capital do país, Brasília (DF). Em agosto deste ano, o casal Fabiana Mercado e Gustavo Longo, de Bauru (SP), encerrou oficialmente o projeto Desbravando Capitais.
Tudo começou em janeiro de 2022, ainda durante a pandemia de Covid-19, quando a publicitária e o profissional de TI decidiram colocar em prática o sonho de viver por alguns meses em cada uma das capitais do Brasil. Com raízes na cidade do interior de São Paulo, os dois moraram por dez anos na capital paulista e foi essa mudança e vivência que despertou o espírito desbravador do casal.
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Como já haviam vivido em São Paulo, a primeira parada foi Florianópolis, capital de Santa Catarina. Eles aproveitaram a viagem para levar uma sobrinha e testaram como seria viver alguns meses na cidade. O trabalho em home office do casal permitiu e facilitou a jornada.
No primeiro ano, foram Florianópolis, Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Brasília (DF) e Palmas (TO). O ano de 2023 começou em Belo Horizonte (MG), após uma pequena pausa para passar as festas de fim de ano com os familiares, depois Vitória (ES) e, na sequência, as demais capitais de estados do norte e todas do nordeste, que foram encerradas em 2024.
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Para esse ano de 2025 ficaram reservadas as duas capitais que faltavam, no sudeste e no sul – Rio de Janeiro e Porto Alegre. Muito além dos pontos turísticos, que, claro, também fizeram parte da jornada, Fabiana e Gustavo tinham o desejo genuíno de desbravar o Brasil e poder compartilhar isso com outros brasileiros de todos os cantos.
Casal de Bauru já está com as malas prontas para o terceiro ano do projeto Desbravando Capitais
Arquivo pessoal
Desbravar sempre
Ainda no Rio Grande do Sul, aproveitando o fim da estadia em Porto Alegre para explorar outros lugares no estado mais ao sul do nosso país, o casal conversou com o g1 sobre essa jornada e foi claro: o Desbravando Capitais pode ter chegado ao fim, mas o sentimento de desbravar não acaba.
E mais do que isso: Fabiana e Gustavo acreditam que o mais importante foi despertar essa vontade de explorar e conhecer o Brasil nas pessoas que compartilharam a trajetória dos dois.
“Nós conseguimos compartilhar histórias e vivências interessantes que tivemos e que valorizam as riquezas do Brasil”, destaca Fabiana.
Além da vontade sempre latente de desbravar, Gustavo destaca que o sentimento que fica depois de vivenciar tantas experiências, que só um país do tamanho e da diversidade do Brasil pode proporcionar, é de orgulho.
“Orgulho de fazer parte de um projeto tão grande, que nos deu a oportunidade de conhecer diversas riquezas do Brasil. Lembrando aqueles principais pontos que nós sempre falamos, que são a culinária, expressões culturais e natureza. É um orgulho no geral. Se for analisar, assim, o sentimento de final, não tenho. Mas, sim, de que foi uma grande oportunidade e existe muita gratidão e orgulho de poder conhecer nosso país.”
Aprendizados e arrependimentos
Fabiana e Gustavo começaram o projeto Desbravando Capitais em 2022
Fabiana Mercado e Gustavo Longo/Arquivo pessoal
Nos quase quatro anos de projeto, foram 51.500 km rodados; sendo 37 mil de carro, outros 1 mil de barco, em uma viagem que durou 29 horas, durante a estadia em Macapá (AP); 10 mil km de avião e 3.500 de van e ônibus.
Além das aventuras e perrengues, houve muitos aprendizados. Fabiana destaca que o principal deles foi o desejo de experimentar sem “pré-conceitos”.
“E quando eu digo pré-conceito é proposital, porque a gente tem preconceito, nada mais é do que um conceito prévio que você tem de algo e eu acho que isso acaba sendo até comum do ser humano, o problema é o que você vai fazer com ele. Por isso que eu digo sobre ir lá experimentar, porque muitas vezes aquilo que você julgava que era não é.”
“Então, experimente, busque a conexão, escute, escutar as pessoas que vivem no local é extremamente importante. E vivencie e esteja aberto ao novo.”
E sobra espaço para algum arrependimento em uma experiência tão significativa? Para Gustavo faltou conversar mais com as pessoas mais velhas dos lugares onde eles viveram. “Queria ter conversado mais com as pessoas mais velhas das cidades. Buscar mais histórias de cada região, um pouco mais do que aqueles moradores mais antigos pudessem nos oferecer.”
Em todas as capitais que moraram, Fabiana e Gustavo entrevistaram pelo menos três moradores sobre como é viver nessas cidades, e, como uma das ideias do casal é produzir um documentário sobre o projeto, eles confessaram que gostariam de ter investido mais em equipamentos para captação do áudio.
“Capturar as vivências que fomos tendo ao longo da jornada, em vídeo de alta resolução e com bom áudio. Me arrependo de não ter tido o microfone desde o princípio, acabamos não comprando em nenhum momento do projeto e, mesmo capturando o que pudermos, de visual e tal, não ter tido a oportunidade de algo mais profissional em termos de materiais de captação”, completa Fabiana.
A publicitária também confessou que gostaria de ter se envolvido mais em projetos sociais dos locais pelos quais passou.
“Eu queria ter feito mais pelas pessoas e ter colaborado socialmente, mas compreendo também que isso deveria, para ser muito bem feito, seria um Desbravando 2, porque, como a gente trabalha no horário comercial, acaba desbravando, conhecendo, acaba seguindo até o nosso roteiro de moradores e eu não consegui incluir um tempo que fosse de qualidade para poder vivenciar uma ação social.”
Fabiana e Gustavo com estátua de Chico Xavier em Minas Gerais
Fabiana Mercado e Gustavo Longo/Arquivo pessoal
Fim das viagens? Jamais!
A vivência nas capitais terminou, mas as viagens continuam nos planos do casal. Na verdade, elas já até começaram. Depois da estadia em Porto Alegre, Fabiana e Gustavo se aventuram pelo estado do Rio Grande do Sul.
Participaram do Festival de Cinema de Gramado, realizado entre os dias 13 e 23, e seguiram a jornada até Chuí, o ponto mais ao sul do país, onde estiveram na quinta-feira (28).
Durante a jornada do Desbravando Capitais, eles tiveram a oportunidade de conhecer Oiapoque, antigo ponto mais ao norte, em julho do ano passado. Na época, em entrevista ao g1, Fabiana, que já tinha viajado para Chuí quatro anos antes com o pai, falou da emoção dessa experiência de poder dizer que já tinha ido “do Oiapoque ao Chuí”.
Apesar de, no final da década de 1990, o extremo norte ter sido atualizado para Monte Caburaí, que fica no município de Uiramutã (RR), a mais de 84 km ao norte da cidade de Oiapoque, na divisa com Guiana, a frase já está na memória afetiva dos brasileiros como o símbolo do norte ao sul do Brasil.
“A primeira vez que ouvi a expressão ‘do Oiapoque ao Chuí’, eu não entendi e perguntei o que significava isso. Me responderam que é a respeito da extensão norte-sul do Brasil. Então, eu fiquei encasquetada e disse para mim mesma que um dia eu iria para Oiapoque e também para o Chuí”, lembra.
E, agora, Gustavo também pode se juntar à esposa nessa experiência de conhecer a extensão norte e sul do Brasil. Viajar, explorar e desbravar são ações que vão fazer parte da rotina do casal.
Durante o projeto, o casal teve a oportunidade de conhecer Oiapoque e, depois de encerrado, foi até Chuí
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“Um plano de médio e longo prazo é não deixar essa chama de conhecer o desconhecido, de desbravar, de vivenciar outros locais, conhecer pessoas, não deixá-la se apagar. E nós pretendemos continuar fazendo viagens, continuar conhecendo pessoas, continuar vivenciando o Brasil e, eventualmente, fora do Brasil também, conhecendo essas culturas, conhecendo essas riquezas que existem por todo o nosso mundo”, afirma Gustavo.
“E aproveitar as oportunidades que tivermos, mas sempre viajar. Eu comento com o Gustavo, eu não enxergo que, mesmo morando em Bauru, retornando a morar em Bauru, pensando em ter um filho, se estabelecer, que eu me refiro a fixar em um local mais tempo, que a gente vai parar de viajar. Eu acho que, muito pelo contrário, quando tivermos oportunidades, a gente, com certeza, vai estar pela estrada mesmo, experimentando, vivenciando o que nos é cabível”, completa Fabiana.
Está nos planos também continuar compartilhando tanto as experiências do Desbravando Capitais, por meio de documentários, das redes sociais e até de um livro, quanto as aventuras que estão por vir.
“Eu gosto de duas frases que carrego comigo. A primeira é: ‘a mente que se abre para uma nova ideia não volta ao seu tamanho original’. E a segunda é: ‘a melhor forma de prever o futuro é criá-lo’. O melhor lugar é onde você está? Desbrava! Busque lugares diferentes. Busque experimentar coisas diferentes no próprio lugar onde você está”, finaliza a publicitária.
Casal na praia do Cassino no Rio Grande do Sul
Fabiana Mercado e Gustavo Longo/Arquivo pessoal
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