Avenida 43: O que aconteceu com ‘point’ paralelo de jovens durante a Festa do Peão de Barretos


Multidão se concentra na Avenida 43 durante a Festa do Peão de Barretos
Mateus Rigola/G1
A Festa do Peão de Barretos, que completou 70 anos em 2025, já foi conhecida também por eventos paralelos, sem ligação direta com o evento e que aconteciam fora do Parque do Peão, promovidos por turistas.
Comportamentos como ‘laçar’ mulheres ganharam fama nos anos 1990. Até por volta dos anos 2010, a Avenida 43, um dos principais acessos à cidade, foi um ‘point’ para jovens que se juntavam para consumir bebida alcóolica, escutar música alta em carros e, por vezes, levar problema aos moradores e comerciantes da região.
Em 2012 e em 2013, o g1 chegou a mostrar como era a movimentação na avenida. Aquela altura, o laço não era mais praticado.
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Os excessos de parte do público levaram a sociedade a cobrar uma solução, e a Prefeitura de Barretos (SP), em conjunto com a Polícia Militar e o Ministério Público, passaram a coibir as festas que aconteciam no local.
“Essa festa paralela não era organizada por ninguém. Especialmente turistas iam para a avenida e ali colocavam caminhonetes, música alta, trios elétricos e faziam uso excessivo de álcool e de práticas inadequadas, como laçar mulheres. Foi aí que os moradores acionaram o Ministério Público, que junto com a Segunda Vara Cível, conseguiram eliminá-la, acabando com a comercialização dos ambulantes e também com a permanência de trios elétricos”, explica a historiadora Karine Medeiros.
Jovem usa megafone para chamar atenção de mulheres na Avenida 43, em Barretos
Mateus Rigola/G1
Com as proibições, a festa em via pública, que geralmente era realizada aos finais de semana, acabou desmobilizada. No último sábado (30), o g1 circulou pela via que abriga diversos comércios e não havia qualquer tipo de concentração.
História da Avenida 43
A Festa do Peão de Barretos, organizada pela associação Os Independentes, acontece desde 1956. No início, e por mais de 30 anos, ela aconteceu dentro da cidade, no Recinto Paulo de Lima Corrêa.
“No entanto, muitas das manifestações continuaram a acontecer dentro da cidade, porque era uma festa menor, mais regional e folclórica. Ocorre que uma dessas festas paralelas acontecia na Avenida 43, no Norte da cidade, e é uma das principais entradas de Barretos.”
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Mas as práticas no local começaram a incomodar as pessoas, especialmente moradores e comerciantes próximos, porque não condiziam com o espírito da Festa do Peão de Barretos.
Nesse período, práticas consideradas machistas aconteciam desordenadamente. Com a quase inexistência de leis de proteção às mulheres, era difícil coibir esses comportamentos.
“Com o caminhar de ações para a defesa da mulher e a criação de novas leis específicas para defesa da sua integridade, a própria sociedade foi caminhando e não aceitando mais esse tipo de prática. Hoje em dia, como essa paralela não existe mais, todas as atividades se concentram no Parque do Peão.”
Com cerveja mais barata, Avenida 43 reúne jovens nas tardes em Barretos, SP
Érico Andrade/G1
Poder público
As medidas adotadas há mais de 20 anos pela Prefeitura de Barretos buscam assegurar a segurança de moradores e turistas que frequentam a cidade no período da festa.
Seguindo orientações do Ministério Público e de decisões judiciais, a Secretaria Municipal de Trânsito e Mobilidade Urbana passou a cumprir algumas medidas.
“Foram fixadas placas em trechos da Avenida 43 e em ruas e avenidas próximas, proibindo temporariamente o estacionamento de veículos nos quarteirões sinalizados, entre as 18h e 21h das sextas-feiras, entre 13h e 21h dos sábados e entre 7h e 21h dos domingos.”
As medidas vigoram inclusive durante a 70ª Festa do Peão de Barretos que termina neste domingo (31). Para a fiscalização das medidas estabelecidas, é preciso ainda o apoio da Polícia Militar.
Em nota ao g1, a Polícia Militar informou que existe um policiamento preventivo na Avenida 43 para garantir os fins residenciais e comerciais da via. Desde que a proibição foi divulgada pela Prefeitura, não há mais ocorrências sobre os problemas citados acima.
“O Poder Público e os moradores locais, chegaram a um consenso de que o local era inapropriado para um evento dessa magnitude e, assim, gradativamente houve um desestímulo a que fossem realizados eventos no local, priorizando-se a segurança dos frequentadores e o bem-estar da população local, e naturalmente as pessoas foram migrando para o Parque do Peão de Barretos, local que oferece segurança, controle de acesso, assistência médica em casos de urgência.”
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