
Beto Louco: investigação revela gastos milionários do principal chefe da facção infiltrada na produção de combustíveis
Reprodução/TV Globo
A Polícia Federal pediu a inclusão de oito foragidos – da operação que investiga a infiltração do PCC na economia – na lista vermelha da Interpol. Entre eles está um dos chefes do grupo, Roberto Augusto Leme da Silva, que, segundo a força-tarefa, gastou quase R$ 8 milhões em compras nos últimos cinco anos.
A investigação descobriu que atrás de uma extensa cadeia de produção criminosa de combustíveis, existe uma organização com dois chefes. E, ao que tudo indica, um com mais poder do que o outro.
Segundo o Ministério Público, Roberto Augusto Leme da Silva – o Beto Louco – tem fluxo oculto de renda, patrimônio e benefício econômico imediato maiores que de Mohamad Hussein Mourad, o outro chefe do grupo apontado pela força-tarefa.
Os promotores dizem que Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Mourad atuavam sob o “primado da ocultação e da fraude”, que é o mesmo quer dizer que criar mecanismos para enganar autoridades era a regra.
Os dois faziam a gestão do grupo Aster e Copap, que controlava a rede de combustíveis. E a força-tarefa descobriu que ocultavam também posições societárias em uma outras empresas: usinas sucroalcooleiras, distribuidoras e postos de combustíveis, armazéns, químicas, lojas de conveniência.
E assim, escondidos atrás de uma rede de colaboradores, de mecanismos fraudulentos e camadas societárias e financeiras, geravam e administravam – segundo os investigadores – lucros bilionários de um negócio ilícito.
Esquema que, segundo a investigação, sustenta a vida luxuosa de Beto Louco, ao lado da esposa Thalita Martins Leme. O casal tem endereço residencial em Tamboré 2, condomínio de alto padrão em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, mas é comum vê-los em outros imóveis luxuosos, como casas de veraneio em Riviera de São Lourenço, no litoral, e em Trancoso, em Porto Seguro, na Bahia.
Roberto e Thalita não declaram imposto de renda e patrimônio desde 2017. No entanto, a análise das notas fiscais feita pelos investigadores revela um orçamento extravagante, com gasto de mais de R$ 7,7 milhões em compras do casal, só nos últimos cinco anos.
E, se viajavam para fora, também não economizavam. Numa visita à Inglaterra e Emirados Árabes, Beto Louco e a esposa gastaram o equivalente a R$250 mil em lojas de luxo, hotéis e restaurantes, de acordo com a investigação.
A força-tarefa diz que em Dubai, o casal se hospedou no Ritz-Carlton, um dos hotéis mais luxuosos do mundo. Em Londres, escolheram o estrelado The Berkley, com passagem pela loja Harrods, onde deixaram o equivalente a R$ 100 mil em compras feitas entre 14 e 22 de setembro de 2023.
A força-tarefa diz que grande parte do dinheiro gerado pelo grupo ia para ao menos 40 fundos de investimentos, parte deles administrados pela REAG, uma das maiores gestoras do país, listada na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo a investigação, essas aplicações reuniam R$ 30 bilhões.
A REAG afirma que tinha 10 fundos e renunciou a 8 deles, e que os outros dois não são objeto da investigação.
A defesa de Roberto Augusto Leme da Silva disse que: “As operações desta semana vincularam, de forma absurda, empresas lícitas, dedicadas ao comércio de combustível, com o crime organizado. Que Roberto jamais participou de qualquer organização criminosa e que a inocência dele será comprovada.”
A defesa de Mohâmad Murad disse que repudia as acusações e também vai provar que ele é inocente. Acrescentou que, até o momento, não existe nenhum indício concreto que permita uma ligação dele com o tráfico de drogas e com as atividades ilícitas do PCC.
O Jornal Nacional não recebeu resposta do grupo Aster e Copap.