
Países pressionam governo brasileiro por causa dos preços dos hotéis durante a COP30 em Belém
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (29) que 61 países já confirmaram presença na COP30, marcada para novembro em Belém.
A lista inclui países como Japão, Espanha, Noruega, Portugal, Arábia Saudita, Egito, República Democrática do Congo e Singapura.
Segundo o Ministério do Turismo e a Secretaria Extraordinária para a COP30, mais de 40 confirmações foram feitas pela plataforma oficial do governo, enquanto outros negociaram diretamente com hotéis e plataformas de hospedagem.
Ainda de acordo com o governo, o Panamá também assegurou participação, com uma comitiva de nove representantes. Já Bahrein e Omã ampliaram o grupo de países árabes que estarão em Belém. A listagem completa dos países não foi divulgada.
“Outros 33 países estão em tratativas para viabilizar sua participação”, disse em nota o Ministério do Turismo.
Apesar do número, a preparação do evento segue marcada por incertezas. Nos bastidores, há pressão da Organização das Nações Unidas (ONU) para que o Brasil subsidie diárias de delegações de países pobres, já que o valor atual pago pela ONU — US$ 140, cerca de R$ 756 — não cobre os custos em Belém.
Na plataforma oficial do evento, as diárias mais baixas giram em torno de US$ 350 (quase R$ 2 mil).
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Segundo a Casa Civil e a Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop), uma das demandas que continua sendo feita pelas delegações é que a ONU aumente o subsídio de diárias para Belém. E, ao mesmo tempo, a ONU pediu que o próprio governo brasileiro ajudasse pagando parte das hospedagens para os países em desenvolvimento. A proposta foi recusada pelo Brasil.
Vista aérea mostra o mercado de peixes Ver-o-Peso, em Belém (PA), em 26 de agosto de 2025. A cidade amazônica será sede da Conferência do Clima da ONU (COP30), de 10 a 21 de novembro.
Anderson Coelho/AFP
O governo disse que vai fazer uma força-tarefa para acelerar o número de confirmações. Segundo a organização, um grupo técnico vai buscar as delegações para entender as principais dificuldades e buscar alternativas.
“A gente acredita que muitos países estavam esperando a reunião de hoje do bureau para ver o que traríamos como respostas. É uma inferência nossa. A ideia é termos um grupo de pessoas para ligar para os pontos focais dessas delegações para saber o que está acontecendo e como podemos ajudar”, explicou o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia da Silva.
Correia disse que há 33 mil quartos individuais disponíveis e a ONU tinha solicitado 24 mil. “Seria o suficiente. O nosso problema é trazer isso a valores compatíveis com o poder aquisitivo”, analisa o secretário.
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Subsídios: ONU cobra o Brasil
Atualmente o orçamento base das delegações subsidiadas pela ONU é de US$ 140, valor que precisa bancar alimentação e hospedagem. Isso significa cerca de R$ 756. O valor é insuficiente. Atualmente, na plataforma oficial do evento, o menor preço de hospedagens é de US$ 350 por dia.
Segundo a organização da COP, em carta ao Brasil, a ONU pediu que o anfitrião subsidiasse as hospedagens para os países pobres. O pedido era de que, aos países pobres, fossem oferecidos US$ 100.
“O governo brasileiro se posicionou dizendo que já está arcando com custos significativos para a realização da COP. Por isso, não há como arcar com subsídio para delegações de outros países”, disse a secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.
A secretária explicou que delegações que não conseguem arcar com os custos teriam pedido à ONU o aumento do subsídio, mas que teriam tido a resposta de que esse era um processo burocrático.
O governo ainda ponderou que a ONU deveria reconsiderar o desembolso, já que, se houvesse uma mudança de local, o subsídio pago teria que ser maior: em São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, o custo seria de mais de US$ 200.
“(…) Nós falamos claramente que o país não tem condição, mas que a ONU poderia subir um pouco a contribuição. Em qualquer cidade do mundo eles pagariam, não estamos pedindo o que pagariam em Bonn, mas o que pagariam em São Paulo e no Rio de Janeiro”, explicou a secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.
Segundo Miriam, o Brasil vai tentar esforços para encontrar subsídios sem recursos públicos.
Polêmica sobre custos continua
O preço das hospedagens permanece um desafio. Na plataforma do governo federal, a menor diária é de US$ 350, cerca de R$ 1,9 mil. Segundo a organização, há um esforço de negociação para encontrar preços mais realistas para os dias do evento.
O governo informou que a maioria das hospedagens na cidade é particular — não faz parte da rede hoteleira — e que sobre os preços tem tomado medidas como pedir a investigação de abuso, mas que “vivemos em uma democracia”.
“Somos uma democracia, temos limites de intervenção no setor privado. (…) Estamos negociando no limite para que os preços possam baixar em Belém”, explica Miriam Belchior.
Miriam lembrou que, em fevereiro e março, a rede hoteleira foi procurada para firmar um termo de ajustamento de conduta (TAC), para estipular que o preço máximo do mercado fosse igual ao do Círio de Nazaré.
“É alguma coisa como três vezes o valor normal, que a gente acha que era razoável. Nós propusemos isso e achamos que na reunião eles estavam concordando e depois vem uma resposta feita por advogados que não tem acordo”, lembra a secretária executiva da Casa Civil.
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