
Fernanda Tiemi dos Santos Ferreira, de 16 anos, foi encontrada morta sobre a cama
Reprodução/Redes sociais
“Foi a primeira noite que eu consegui dormir, mas ainda está aquele aperto”. O desabafo é de Raquel Ferreira dos Santos, de 52 anos, após a prisão de Carlos Ovidio Batista, de 60 anos. Ele é suspeito de matar a filha dela, Fernanda Tiemi dos Santos Ferreira, de 16 anos.
Raquel encontrou a filha morta na cama, na casa onde moravam, no Parque São Martinho, em Mogi das Cruzes. Batista foi preso temporariamente na terça-feira (26). Ele é ex-companheiro de Raquel e atualmente a irmã da vítima espera um filho dele.
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A mãe de Fernanda contou que se sente mais aliviada com a prisão do suspeito, mas a situação ainda é muito difícil. “Eu tô mais forte. Eu choro ainda, vai demorar muito pra sair da minha cabeça, mas hoje eu tô mais aliviada que ele está preso”.
Ela afirmou que deseja justiça e pensa no desespero da filha no momento do crime. “Tô aqui na casa, sinto a presença dela, é muito difícil, mas a gente está vivendo”.
Segundo Raquel, no dia da morte da adolescente, Batista não foi trabalhar, as câmeras de monitoramento registraram os percursos que o carro dele fez e testemunhas disseram ter visto ele perto da casa de Fernanda.
“Tudo indica que foi ele, ele sabia que eu e minha outra filha íamos sair. Ele tem que pagar, não é ficar temporário e sair. Pra gente que é mãe dói muito, não desejo pra ninguém o que eu vi, foi horrível”, detalhou.
O suspeito nega ter matado a vítima, mas a mulher acredita que foi ele. “Eu sei como ele é manipulador. Ela [Fernanda] debatia com ele, porque não queria ver eu sofrendo, ela via o que eu estava passando”.
Fernanda deixou uma filha de 1 ano e 3 meses, que estava na casa no momento em que a avó encontrou a adolescente morta. Raquel mencionou que deve ficar com a guarda da criança.
Relacionamento conturbado
De acordo com a Polícia Civil, que investiga o caso, Batista, além de ser pai do filho da irmã de Fernanda, também é casado com outra mulher. No entanto, Raquel explicou que não sabia desse relacionamento.
“Quando eu me envolvi com ele, ele me disse que era separado”, disse Raquel.
O relacionamento entre o suspeito e a família da vítima é conturbado há muito tempo. Em 2022, a escola em que Fernanda estudava denunciou ao Conselho Tutelar de Mogi das Cruzes que a menina teria sido vítima de um estupro cometido por ele.
“O Conselho Tutelar chegou a vir em casa pra conversar com a Fernanda, ela estava com muito medo. Eu falei pra eles que eu não vi nada, ela falou que ele não tinha feito nada. Mas tempos atrás ela disse que era verdade, mas ele tinha ameaçado ela, que se ela falasse isso, eu ia morrer”.
Em nota, o Conselho Tutelar informou que os casos atendidos são sigilosos e, como se trata de um crime, não há informações que possam compartilhar.
Na época, o órgão encaminhou a adolescente para atendimento psicológico, mas segundo a mãe, Fernanda teria recusado.
Já a outra filha de Raquel, que está grávida de Batista, tem uma medida protetiva contra ele. Em duas ocasiões, ele descumpriu as medidas e foi até a casa da família. A mãe contou que, em uma das vezes, a filha chamou a polícia, mas ele fugiu.
“Eu penso que ele já queria fazer isso há muito, mas não tinha oportunidade pra fazer. Depois ele falou que ia acontecer uma desgraça comigo se ele não voltasse pra minha casa. Eu não quero nem ver a cara dele”, relembrou.
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Relembre o caso
Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares se dirigiram até a Estrada Aroeira para averiguar uma denúncia de homicídio. Ao chegarem ao local, encontraram a vítima em cima da cama do quarto.
O documento aponta que a mãe saiu com a outra filha, que está grávida de oito meses, para atendimentos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), em Taiaçupeba. Ela permaneceu no local até as 14h.
Após deixarem a UBS, a filha foi até a Santa Casa enquanto a mãe retornou à residência. Conforme o boletim de ocorrência, ela enviou mensagens para a adolescente por volta das 11h15, mas ela não respondia.
Por volta das 16h50, ela entrou no imóvel e encontrou a filha morta sobre a cama. Na casa, também estava a filha de Fernanda, uma bebê de apenas 1 ano e 3 meses, que presenciou o crime. A mulher acionou a PM e o Samu.
Os policiais também ouviram a irmã da vítima. Segundo o documento, ela conta que chegou em casa por volta das 19h50. A mulher relatou que seu relacionamento com a vítima não era bom e brigavam constantemente, chegando a registrar um boletim de ocorrência contra a irmã.
Ainda de acordo com ela, devido à relação conturbada, seu ex-companheiro, Carlos Ovidio Batista, não gostava da ex-cunhada, mas nunca o presenciou ameaçando a vítima. No entanto, ela denunciou o ex-companheiro por violência doméstica e obteve uma medida protetiva contra o homem.
Batista esteve na casa pedindo para ela retirar a medida protetiva, pois não iria registrar o filho em seu nome, o que foi negado. O homem foi embora na sequência. Em outra data, ele teria dito que se ela não apoiasse a ideia dele morar no mesmo imóvel, aconteceria uma “desgraça”.
Sobre a irmã, ela relatou que a adolescente é mãe de uma menina de 1 ano e 3 meses e que tinha uma relação conturbada com seu ex-namorado e pai da criança.
Conforme o documento, a mulher disse que ele, um jovem de 28 anos, possuía dívidas com várias pessoas e passava o nome da irmã para evitar cobranças.
Ela disse ainda que a irmã recebia telefonemas de número privado com ameaças de morte. Afirmou aos policiais que não conhecia onde o jovem mora e disse que ele aplicava golpes com quem teve relacionamento.
Um dos investigados, o ex-companheiro da irmã da vítima, negou o crime. Segundo a polícia, ele confirmou que esteve na casa de sua ex para conversar.
Ele alegou que pediu a retirada da medida protetiva, pois queria criar o futuro filho com ela. O pedido foi negado e ele teria deixado o local sem discutir com a mulher.
Questionado sobre sua relação com a vítima, ele contou que não era boa, pois a princípio conviveu com a mesma por cinco anos e depois teve um relacionamento que durou dois anos com a irmã dela. Ele afirmou que passou o dia todo deitado e sentia dores no joelho e que iria ao médico no momento da chegada dos policiais. Além disso, disse que soube do ocorrido através dos próprios agentes.
A polícia solicitou exames ao Instituto Médico Legal (IML) e apoio do Setor de Homicídios de Mogi das Cruzes. O local do crime foi preservado para o trabalho da perícia.