
Genivaldo está preso desde o último domingo (24).
Arquivo pessoal
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) confirmou que sete pessoas relataram ter sido vítimas do padre Genivaldo Oliveira dos Santos, preso temporariamente por suspeita de estupro de vulnerável em Cascavel, no oeste do Paraná.
O número foi informado pelo secretário estadual de Segurança Pública, coronel Hudson Teixeira, e pela delegada responsável pelo caso, Thais Zanatta.
“A princípio já foram identificadas sete vítimas do padre que está preso. As vítimas foram ouvidas, outros casos estão surgindo e sendo verificados”, afirmou o secretário.
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Segundo a PCPR, cerca de 18 pessoas já prestaram depoimento no inquérito que investiga os crimes sexuais atribuídos ao padre. Nos próximos dias, devem ser ouvidos seminaristas, familiares deles e pessoas ligadas à rotina da paróquia onde o religioso atuava.
Genivaldo está preso desde o último domingo (24). A Justiça decretou a prisão temporária porque, segundo as investigações, ele tentou contato com possíveis vítimas, o que pode atrapalhar o andamento do inquérito.
A defesa do padre nega que ele tenha buscado falar com testemunhas ou vítimas com a intenção de interferir na apuração.
“A prisão temporária foi surpresa. Falar em constrangimento e coação rememora em ameaça, uma coisa mais impositiva. O padre enviou uma mensagem de texto no WhatsApp falando ‘seu eu precisar da sua ajuda, você pode me ajudar?’. A pessoa disse que prefere não falar e então o padre parou. Foi isso que acarretou a prisão temporária dele”, diz o advogado Alessandro Rosseto.
A delegada Thais Zanatta informou que a conclusão do inquérito está prevista para meados de setembro.
A Arquidiocese de Cascavel reafirmou que recebe a notícia com profunda consternação e irá colaborar integralmente com as autoridades para que tudo seja esclarecido no menor tempo possível. Afirma ainda que o sacerdote denunciado foi imediatamente afastado de todas as funções eclesiásticas.
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Casos aconteceram de 2009 a 2025
Entre as vítimas já identificadas, o primeiro abuso aconteceu em 2009. O relato é de um homem que hoje é padre e denunciou ter sido abusado por Genivaldo enquanto ainda era seminarista. Ele entregou à polícia uma carta escrita em 2011, como prova de que o abuso foi relatado aos superiores na igreja.
Um homem de 33 anos, ex-dependente químico, também denunciou abusos. Ele contou à polícia que foi dopado e violentado pelo padre, mas não soube precisar a data dos crimes.
Outro homem, de 27 anos, que atuava na mesma paróquia que o padre na época, relatou ter sido abusado em 2019.
Uma vítima de 23 anos contou ter sido abusada quando recorreu ao padre para se livrar da dependência química em 2021.
Um adolescente de 16 anos contou ter sido abusado enquanto prestava serviços na Igreja Católica no ano de 2024.
A sexta vítima é um homem de 20 anos, também ex-dependente químico, que relatou ter sido abusado há duas semanas na clínica terapêutica onde o padre atuava.
Ainda não há informações sobre o perfil da sétima vítima.
A delegada conta que alguns dos abusos aconteceram mais de uma vez, com os homens dopados ou conscientes.
“Uma das vítimas relatou ser dopada por remédios, outra relatou ser dopada via canabinoide, proveniente da maconha […] As pessoas dopadas também relatam abuso em estado de consciência”, afirma Zanatta.
Ela acrescenta que investiga também se o padre atuava com aliciamento desses homens.
“Havia um aliciamento com presentes, dinheiro, viagens. Ele até comprou uma piscina para colocar na casa. Ele dava uma vida confortável para esses adolescentes e usuários de drogas, atraindo-os e adquirindo a confiança das vítimas”, diz a delegada.
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Relembre o caso
Padre foi preso na manhã de domingo (24), em Cascavel.
Polícia Civil (PC-PR)
Genivaldo Oliveira dos Santos é investigado por ser suspeito de praticar abusos sexuais. Entre as sete vítimas apontadas pela polícia até o momento estão jovens da comunidade católica e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Ele foi preso por policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), que também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa do padre. Segundo a polícia, ele está sendo investigado desde o dia 16 de junho deste ano.
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