PCC usava lojas de conveniência para lavar dinheiro do tráfico, revela investigação


PCC usava lojas de conveniência para lavar dinheiro do tráfico, revela investigação
Reprodução/TV Globo
A força-tarefa que investiga a infiltração do PCC na economia brasileira descobriu que um dos investigados criou redes de lojas de conveniência para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Cercado por tapumes, um posto no Bixiga, no centro de São Paulo não vende mais combustível adulterado. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público apontaram que era um dos locais onde o esquema chefiado por Mohamad Hussein Mourad descarregava o metanol usado na fraude. O metanol é um subproduto mais barato do petróleo e altamente corrosivo.
A força-tarefa descobriu que a quadrilha também usou as lojas de conveniência dos postos, em nome de laranjas, inclusive de parentes. Segundo os investigadores, o dinheiro do tráfico e de outros crimes e registrar como se fosse de vendas de produtos. Os valores iam para contas bolsões em fintechs – essas contas concentram movimentações de vários clientes, sem indentificá-los individualmente.
Uma das principais redes investigadas tem 168 lojas de conveniência. Segundo o Ministério Público, as empresas eram encerradas e repassadas para outros nomes, em questão de meses, para disfarçar os crimes e dificultar a identificação dos envolvidos.
Segundo o Ministério Público, uma das redes de lojas de conveniência está em nome da irmã de Mohamad Mourad, Amine Mourad.
“O objetivo primário da investigação foi mapear toda a organização criminosa né, e suas atividades ao longo de toda a cadeia de combustíveis e coletar provas em relação a esses elementos né?. Então esse mapeamento que nós fizemos neste momento, ele vai propiciar o Estado atacar o braço financeiro da organização criminosa”, diz João Paulo Gabriel, promotor do Grupo de Combate ao Crime Organizado/MPSP.
A investigação mostrou ainda que os criminosos ficavam de olho em possíveis novos negócios. Em uma troca de mensagens, que chamou a atenção dos promotores, Mohamad recebeu uma reportagem que falava sobre o desenvolvimento de gasolina sintética.
O subordinado que enviou escreveu: “Pode ser um bom investimento para o futuro. Vamos ficar de olho.” Mohamad respondeu: “Sim, verdade. Precisa ver como sonega kkkkkkk” e finalizou com risadas.
Mohamad e o homem apontado como o sócio dele, Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, estão foragidos. Na quinta-feira (28), a Polícia Federal cumpriu apenas 6 dos 14 mandados de prisão determinados pela Justiça. O diretor-geral da PF disse que a instituição apura se houve vazamento de informações antes da operação.
“Se houve esse vazamento criminoso, nós vamos sim instaurar o inquérito policial e apurar severamente o que teria acontecido para que esse resultado não fosse aquele que nós esperávamos durante o cumprimento das medidas”, afirmou Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
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